http://www.tribunadabahia.com.br/politica.htm - Nov 16, 2010 1:24:57 PM - Nov 16, 2010 1:24:57 PM
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Carnaval foi o prenúncio do jogo de 2010Os tambores e guitarras já silenciaram na avenida e a cena cede espaço à política, que ainda nos camarotes revelou fatos que estão diretamente relacionados com a disputa eleitoral de 2010. Entre os mais prováveis candidatos ao governo do Estado, a exceção do ex-governador Paulo Souto, que se isolou nas praias do Litoral Norte, os outros não perderam tempo e disputaram palmo a palmo os espaços da mídia e a simpatia dos artistas e foliões. Assim, o governador Jaques Wagner (PT), o ministro Geddel Vieira Lima e o prefeito João Henrique (PMDB) procuraram fazer o dever de casa, cada um ao seu modo. Já declarado candidato à reeleição, o governador Jaques Wagner foi um dos que mais investiram neste Carnaval. Expondo-se ao máximo e preocupado com os números da festa, o governador foi para a avenida com todo o seu staff e procurou tirar o máximo da folia. Preocupado com a violência do Carnaval, o petista pediu à própria imprensa que “valorizasse mais as coisas boas e desse menos atenção às questões negativas”, numa clara preocupação com o impacto negativo que a festa poderia trazer ao seu governo. Com a redução da violência, que é um dos principais problemas da sua administração, Wagner comemorou e espera mudar o quadro desfavorável que se lhe apresenta até o momento. Convencido de que o prefeito João Henrique possa ser seu concorrente em 2010, o governador parece ter estabelecido uma medição de espaço com ele neste Carnaval. Por isso os dois reacenderam desde o inicio da festa a velha pendenga do período eleitoral sobre quem fez ou deixou de fazer mais pela capital baiana. De olho em 2010, Jaques Wagner assumiu o discurso de candidato, o que foi confirmado através da sua movimentada agenda.Com Geddel à frente, o PMDB desfilou com outras opçõesAcomodado no Campo Grande no mesmo camarote do prefeito João Henrique, ou visitando o circuito Barra-Ondina, o ministro Geddel Vieira Lima também não se descuidou do fazer política. Bastante cumprimentado por aliados e foliões, Geddel pôde testar neste Carnaval as suas potencialidades sobre uma provável disputa ao governo do Estado em 2010. Sempre disposto, o ministro confirmou que será mesmo candidato, embora deixasse para o jogo das imaginações qual será o seu papel na futura eleição. Com vaga assegurada para disputar o Senado, Geddel aguarda “as consequências da conjuntura nacional” para definir o seu rumo. Ostentando as condições que ele próprio defende “como uma conquista do esforço pessoal e fruto do crescimento do PMDB na Bahia”, o ministro tanto pode disputar o governo do Estado quanto a ser o vice da ministra Dilma Rousseff, provável candidata do PT à Presidência da República. Provando a sua importância como “jogador” na futura eleição, o ministro pode ser considerado também uma carta na manga da candidatura tucana ao Palácio do Planalto em 2010. Mas o PMDB tem outra carta na manga caso queira mesmo disputar o governo do Estado em 2010. Ao colocar-se como “o próximo da fila” dentro do PMDB, o prefeito João Henrique demonstrou durante o Carnaval ser mais uma opção para o seu partido. A disputa de espaço com o governador Jaques Wagner durante o Carnaval mostrou que ele não está brincando. Como anfitrião, João Henrique fez uma jogada arriscada ao subir num trio e discursar para agradecer aos foliões e funcionários da prefeitura pela qualidade da festa. Aplaudido, João mostrou mais uma vez que sabe lidar com as massas.Paulo Souto pode mudar rumo da sucessão indo para o PSDBA transferência do ex-governador Paulo Souto do DEM para o PSDB ainda está no campo das especulações, mas o fato pode se concretizar a qualquer momento. Recolhido para descanso nas praias do Litoral Norte durante o Carnaval, Souto nada acrescenta sobre o assunto, mas é tudo por conta da delicada operação que o assunto envolve. Há resistência nacional do DEM, principalmente do presidente Rodrigo Maia. Contudo, na Bahia, embora também exista alguma resistência, a posição dos que são favoráveis é majoritária. Lideranças como os deputados federais Jutahy Júnior e João Almeida e o ex-prefeito Antônio Imbassahy não se opõem à decisão, principalmente se for para o bem do partido. Apenas o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, tem se mostrado contrário à ideia. Aliado do PT no Estado, a Nilo não parece interessante porque o partido certamente passaria a fazer oposição ao governador Jaques Wagner, com quem ele pretende marchar em 2010. Mas é justamente aí onde está o “X” da questão. Sem um palanque forte para os seus candidatos nas últimas eleições presidenciais, a direção nacional do PSDB trabalha desde já os problemas existentes nos estados. Por isso, a entrada do ex-governador Paulo Souto é considerada estratégica para fortalecer o palanque baiano, colocando lado a lado tucanos e democratas, como deve acontecer no resto do País. Caso a decisão de Paulo Souto seja favorável a entrar no ninho tucano, inevitavelmente mexerá no tabuleiro sucessório de 2010. Souto pode se tornar o principal nome da oposição para disputar o governo do Estado, mas a possibilidade de o PMDB lançar um candidato, provavelmente o ministro Geddel Vieira Lima, pode haver uma recomposição, com o futuro tucano disputando o Senado. Mas como tudo vai depender da conjuntura nacional, alguns passos dados no Carnaval foram apenas ensaios para 2010. Por fim, o fim do Carnaval baiano também trouxe um sinal de paz dentro do PPS, com a possibilidade de mudança no comando estadual da legenda. Vivendo o mesmo drama do PSDB, que no plano local é governo e no nacional é oposição, os dirigentes do PPS baiano ensaiam um acordo, sinalizando a eleição de um nome que contemple o desejo das duas facções que dominam o partido. (Por Evandro Matos)Polêmica entre Meirelles e Caldas acaba na ALMesmo após encerrado o Carnaval, permanece a polêmica envolvendo o cantor e compositor Luiz Caldas e o secretátio estadual da Cultura, Márcio Meireles. Ontem foi a vez da oposição na Assembleia Legislativa criticar abertamente Meirelles. Em comunicado oficial, o líder do bloco, Heraldo Rocha (DEM), disse que o episódio envolvendo o criador da Axé Music não é o primeiro em que Meirelles tenta “destruir” a cultura do Estado. “Não é a primeira e infelizmente acredito que não vai ser a última ação deste secretário tentando acabar com o que temos de bom na nossa Bahia. Primeiro tentou destruir o Solar do Unhão, depois acabou com o Balé Folclórico e o Balé do Teatro Castro Alves, a Fundação Casa de Jorge Amado vive em crise, que também atinge o Teatro XVIII e já ameaçou fechar o Teatro Vila Velha, casa do próprio secretário. A crise também chega no Pelourinho, que está completamente abandonado”, disparou. Por tabela, Heraldo Rocha pede ainda que Jaques Wagner tome uma atitude e demita imediatamente o secretário do cargo. A polêmica girou por conta de o cantor e compositor Luiz Caldas, destacado como criador da Axé Music, ter acusado o secretário estadual durante a folia de ter boicotado o trio independente do qual o multiinstrumentista seria a estrela maior. Pelo projeto, Luiz Caldas tocaria por três dias nas ruas de Salvador para o folião pipoca. Mas, segundo Caldas, mesmo com a orientação da primeira-dama Fátima Mendonça e com o aval do governador do Estado, Márcio Meirelles engavetou o projeto. Pelo que se sabe, até o secretário Domingos Leonelli (Turismo) tentou intervir, mas não teve sucesso. Indignado com o descaso e a falta de respeito por parte do gestor da pasta da Cultura, Luiz Caldas escreveu um manifesto contra o secretário. O texto foi lido em pleno Carnaval , mostrando o que Caldas classificou como “política anti-cultural”. Meirelles, por sua vez, na ocasião declarou em nota que a respeito do manifesto divulgado pelo compositor jamais promoveu qualquer perseguição ou boicote à sua participação no Carnaval de Salvador. “Ao contrário, Luiz Caldas foi um dos primeiros artistas a serem convidados pela Secretaria de Cultura a participar do programa Carnaval Pipoca, que em 2009 patrocinou 20 desfiles, em trios sem cordas, nos dois circuitos da festa”. No documento constava ainda que “a Secult-BA apoia o Carnaval 2009 através de programas, com regras transparentes. (Por Fernanda chagas)TSE amplia rigor contra caixa 2 em campanhas